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ENTREVISTA: Rosanne Mulholland

Atriz brasiliense, começou a cursar teatro aos 12 anos de idade. Estudou psicologia em Brasília, enquanto continuava se dedicando à carreira de atriz. Nesse período, participou do curta-metragem Dez Dias Felizes (2002), de José Eduardo Belmonte, com quem voltaria a trabalhar em A Concepção (2005) e Meu Mundo em Perigo (2007). Estrelou também Falsa Loura (2007), de Carlos Reichenbach, pelo qual recebeu o Prêmio Contigo de melhor atriz. Na TV, foi a professora Helena Fernandes na versão brasileira da novela Carrossel, no SBT, entre vários outros trabalhos.

Como você se envolveu com o filme?

Já tinha ouvido o Zé (José Eduardo Belmonte, o diretor) falar desse filme várias vezes. Soube que ele ia filmar e pensei: “Que legal. Pena que não estou...”. Estava fora do país visitando meus avós quando recebi um telefonema dele, perguntando se eu poderia voltar um pouco antes. Ele estava me convocando em cima da hora para fazer o filme. Cheguei na véspera de começar a filmar. Conhecia um pouco a história porque ele já tinha me contado, mas não sabia como era o roteiro, o que aquele projeto tinha virado. Li o roteiro no avião. Foi uma loucura maravilhosa.


"Gosto muito do jeito com que o Zé dirige. Ele é um diretor que gosta do ator. Adora experimentar coisas diferentes. Ainda mais nesse filme, em que boa parte do elenco está fora da zona de conforto, vamos dizer assim. Krisse é uma personagem diferente das que tenho feito, mas de alguma maneira é mais próxima de mim."

Rosane Mulholland

Como você define sua personagem?

A Krisse é a nerdzinha do grupo. Meio desajeitada, mais tímida, tem a autoestima mais baixa. E contrasta um pouco com o grupo, que é bem barulhento, eu diria. E aí ela faz uma amizade bem forte com o menino. Em geral, as pessoas que têm esses sentimentos acabam se identificando com a criança, se identificam com essa sensação de se sentir deslocado.

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Você já trabalhou várias vezes com Belmonte...

Sim, na verdade, meu primeiro filme foi com Belmonte, um curta-metragem. Depois fiz A Concepção e Meu Mundo em Perigo. Já fazia alguns anos que não trabalhávamos juntos. Eu imaginei que depois de tanto tempo seria uma experiência diferente. Nesse caso, como entrei de última hora, perdi a preparação. Mas acho que acabei entrando no filme por isso também, porque ele já me conhece, e provavelmente achava que eu tinha alguma coisa a ver com a personagem. Gosto muito do jeito com que o Zé dirige. Ele é um diretor que gosta do ator. Adora experimentar coisas diferentes. Ainda mais nesse filme, em que boa parte do elenco está fora da zona de conforto, vamos dizer assim. Krisse é uma personagem diferente das que tenho feito, mas de alguma maneira é mais próxima de mim. Tenho feito mulheres mais seguras, e tal, e na verdade eu não sou. E é muito boa a oportunidade que ele dá de experimentar e até de improvisar durante as filmagens.

Como foi fazer um filme de estrada?

Nunca tinha feito um filme com deslocamento, mas foi ótimo, ainda mais porque cheguei em cima da hora. Eu não conhecia a Ingrid (Guimarães), nem a Alice (Braga), e essa convivência do road movie foi muito importante para a gente criar essa relação.

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Como foi contracenar com João, que não é ator?

Como não se apaixonar? Minha experiência com crianças é que, quando a criança é realmente talentosa, é muito simples o jeito da criança atuar. E muito verdadeiro. Parece tão fácil... João é incrível.

No set você vive cercada de crianças, fãs de sua personagem na novela Carrossel...

Minha vida é cheia de surpresas, essa foi uma delas. Quando eu era criança, assistia à versão mexicana de Carrossel. Já estive do outro lado. Mas realmente ninguém esperava que fosse um sucesso tão grande. E me surpreendeu muito, porque já tem um tempo que a novela saiu do ar. Não imaginava que as crianças ainda estariam tão interessadas.


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